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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Abertura do Carnaval Imaginário: Uma sensação de ansiedade no ar

TEXTO DE RENATO MOTTA

A sexta feira de carnaval hoje, para as batuqueiras e batuqueiros do Batuques de Pernambuco, sempre representou o clímax da tensão, mas sobretudo, o de querer fazer bonito na nossa primeira apresentação, nessa abertura imaginária do carnaval no Recife Antigo. 

De que algo mágico e especial ocorreria nessa noite de 25 de fevereiro de 2022.

Recife e Olinda também já acordariam diferentes hoje, vias interrompidas, jornalistas cobrindo todas as informações das mudanças e acessos para a noite de abertura do Carnaval. 

Estaríamos respirando, como um fog londrino, a densidade da expectativa para a abertura da folia carnavalesca. 

Turistas chegando de todas as partes do mundo para experimentar, no solo de Pernambuco, a maior festa popular a céu aberto, com aquele galo imponente na Avenida Guararapes.

O simples abrir os olhos na sexta feira e sair para o trabalho cedo, era compartilhado com as preocupações do dia mas sobretudo na grandiosidade da noite. 

Desde cedo, pensar naqueles ajustes finais do figurino, apertar aqui e acolá para deixar tudo lindo e brilhando. 

Era dia de maquinar a hora de sair do trabalho, para chegar em casa, se arrumar e partir para o Recife Antigo. 

Nem que fosse a pé, mas hoje seria dia de tocar, o que ensaiamos durante quase cinco meses, de forma exaustiva em Olinda, desde setembro nas oficinas experimentais em Jardim Fragoso.

Para os coordenadores, era dia de ligar para a empresa de ônibus e verificar se estava tudo certo para a saída de Olinda rumo à Rua da Moeda, receber ligações dizendo que esqueceram talabarte, se poderiam levar a Alfaia da sede do Batuques, no ônibus para Recife. 

Mas é para chegar que horas na Rua da Moeda? Que horas sai o ônibus? Depois da tocada, quem vai ficar um pouco lá no antigo? Alguém vai levar o Axé Yô? Essas perguntas já estariam inundando o grupo de mensagens instantâneas nos celulares do Batuques de Pernambuco. Dezenove horas na Rua da Moeda, essa era principal mensagem.

E a movimentação daquela multidão transforma o percurso de quinhentos metros, em uma maratona com mais de cinquenta quilômetros. De sorte, conseguir estacionar o carro, sem ter que gastar uma fortuna de estacionamento, ou ver  angustia de ficar dentro de um coletivo, no infindável engarrafamento de todas as vias para o Recife Antigo.

No horário marcado, os batuqueiros começariam a aparecer no cruzamento da Rua Mariz e Barros com a Moeda. A cidade do Recife já estaria toda enfeitada, brilhando e os bares dos arredores já cheios, a concentração começando a aquecer os corações: - Cadê Guilherme e o ônibus de Olinda? Vai sair que horas? - Teve uma barreira e eles não conseguiram passar, estão vindo a pé, desde o prédio da Prefeitura. 

E com todos já presentes, os três silvos do apito, era o chamados para a formação no meio da rua de paralelepípedos, sobre o olhar atento da estátua de Chico Science. 

Antes da primeira batida da baqueta no couro esticado das alfaias. A tensão estava no ar!!! Batuqueiros  ou batuqueiras dando o seu último gole na cerveja gelada, a última bicada no Axé, antes de iniciar o trajeto pelo Recife Antigo.

BORA BATUUUUUQUEEEEESSSSSSS!! SEQUENCIA NAÇÃO!!! PRIIIIIIIIIIIIIIIIII PRIIIIIIIIIIIIII, PRIIIIIIIIII PRIIIIIIIIIIIIIII

As batidas iniciais das Alfaias, Caixas, Agbê, Gonguê e Atabaques causariam um inusitado arrepio nos braços dos batuqueiros. Se olhássemos com mais atenção, até veríamos algumas lágrimas escoarem pelos olhos de alguém. 

O público em volta, reagiria a nossa onda do Maracatu e estariam em êxtase, pulando conosco. Fogos de artifício pipocando no Recife Antigo, de forma a coincidir o nosso cortejo, com a abertura do Carnaval 2022.

E dessa forma, o Batuques de Pernambuco começaria a percorrer a cidade, mostrando a arte e a cultura percussiva, feita na Praça de Olinda, para dentro do Recife Antigo. Duas cidades conectadas, vibrando e pulsando o Carnaval de 2022.

Mas hoje, haverá silêncio, ruas estarão vazias, não terá o Galo imponente na Av Guararapes e uma pandemia que insiste em não permitir a explosão do ritmo, alegria, diversidade, multicultural, denominado Carnaval de Pernambuco

O que fica hoje, é simplesmente o imenso vazio no peito, condensado em apenas uma palavra: Saudades.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Encerrando nosso ciclo: Que Arretado e Ensaio com Fantasias


O Grupo Percussivo Batuques de Pernambuco, encerrou o seu ciclo de 2021/2022 nesse agitado fim de semana, no bairro de Jardim Fragoso em Olinda-PE com duas atividades intensas.

No sábado, recebemos a visita de Amanda Maga e Wendy Hazin para uma participação muito especial do Batuques de Pernambuco no programa Que Arretado da TV Guararapes

Agradecemos a equipe de produção que entrou em contato conosco, proporcionando momentos muito especiais.

Confira abaixo as imagens com a Maga e Hazin e o Batuques!

A gravação foi especial

Amanda Maga e Wendy Hazin com o Batuques de Pernambuco

O Batuques de Pernambuco aguardando para a gravação

Amanda Maga e Wendy Hazin com o Coordenador do Batuques de Pernambuco Guilherme Montarroyos

Já no domingo, o Batuques de Pernambuco realizou seu tradicional ensaio com fantasias e o encerramento das Oficinas Percussivas de 2021/2022 com todos fantasiados e celebrando mais um ano juntos. 










 









Agradecemos a família Luna, em especial Elizabeth e Aline, que proporcionaram a realização de nossas atividades percussivas, nesses anos em que estivemos isolados pela pandemia e não pudemos realizar os nossos ensaios na Praça do Carmo.

Que possamos nos reencontrar para o próximo ciclo de ensaios e percussão, quando o Batuques de Pernambuco completará 19 anos de existência em 2023. 

Todos vocês fazem parte da história do Batuques de Pernambuco

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Solidariedade ao Abílio Instrumentos Musicais

É quase impossível, que pelo menos um integrante batuqueiro, coordenadores ou oficineiros de Grupos Percussivos ou de Nações de Maracatu de Recife, não tenha visitado a loja de Instrumentos Musicais do Abílio.

Aquela lojinha que fica na Avenida Norte, tendo a frente o Abílio, que se especializou na arte de construção e manutenção desses instrumentos de cultura.

Mas infelizmente, a querida loja teve um dia trágico nessa segunda feira (14/02).

Um incêndio de proporções catastróficas que transformou em cinza um acervo maravilhoso.

Eram pandeiros, alfaias, agbês, violões, rabecas, atabaques, tambores, caixas, tarol. Um conjunto inimaginável de instrumentos.




Além disso, muitas relíquias estavam disponíveis para aquisição. Um acervo de CD,s de artistas populares, de côco e ciranda, bem como o registro sonoro de diversos grupos Nação de Maracatu ou artistas que podiam disponibilizar seus trabalhos na loja de Abílio. 

O incêndio fez desaparecer todo um acervo de instrumentos, que poderiam estar nas ruas, possibilitando a arte de músicos e artistas através da música.... enfim  a alma da cultura de Pernambuco.




Para além da venda de instrumentos, Abílio destinava seu tempo e dedicação em identificar possíveis talentos musicais e apoiar, através de sua loja, crianças e adolescentes que não tinham possibilidade de adquirir um instrumento. Mas o incendio comprometeu todo o elo de cultura e arte que a Loja gerava.

Desde ontem, tivemos a informação de que muitos grupos se mobilizaram em apoio à Loja de Instrumentos Musicais de Abílio.

O Batuques de Pernambuco se soma aos diversos grupos percussivo e de Nação de Maracatu, divulgando e solicitando aos seus membros e admiradores uma contribuição de qualquer valor.

Para contribuir, basta fazer um depósito através da CHAVE PIX: (81) 99650-5108

Nesse caso, a solidariedade reconstrói sonhos, arte e cultura.